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Zamorano e a importância dos babetes

O futebol é um esporte com um simbolismo e uma estética profundamente enraizada em cada um de nós. Se no início de uma partida notássemos que não havia um número nas costas dos jogadores, rapidamente pensaríamos que tinha havido um erro. Os números fazem parte do futebol e, além de identificarem cada jogador, são de enorme importância na carreira dos jogadores e é comum que ao longo da carreira os jogadores de futebol não se queiram separar com certos números, não importa o que aconteça.

No entanto, nos primeiros dias do belo jogo, os números não estavam lá e quando duas equipes se encontraram, a única coisa que diferenciou cada clube foi a cor das camisas, nada mais. Só em 1928 é que se fez o primeiro uso dos números, graças à intervenção de Herbert Chapman, manager do Arsenal FC em Inglaterra, que convenceu a FA da sua utilidade.

No dia 25 de Agosto de 1928, o Sheffield Wednesday FC jogou com o Chapman’s Arsenal FC e foi decidido que cada babete teria uma função específica, uma que muitos hoje designam como sendo a forma correcta de utilização. A partir desse dia, os números foram utilizados para designar a posição de cada jogador e foram únicos, sendo de 1 a 11 para a equipa da casa e de 12 a 22 para a equipa visitante (lembre-se que antes não havia mudanças e, portanto, não havia mais jogadores no banco). Na temporada 1939/40, a Associação de Futebol unificou os critérios e ordenou oficialmente a numeração de todos os números de camisas de todas as equipes que jogam no campeonato inglês. A partir daí se estendeu a outras ligas e organismos, que transferiram a regra para outras disciplinas desportivas de equipa.

O 1 foi dado ao goleiro, enquanto o 2 e o 3 foram dados ao zagueiro central direito e esquerdo, respectivamente. O 4 foi usado pelo meio-campista defensivo central ou o que hoje seria o meio-campista defensivo. O 5 era para a ala direita e o 6 para a ala esquerda. O 7 foi usado pela ala direita e o 8 pela direita interna. O 9 era para o centro, enquanto o 10 era para o interior esquerdo, e o 11 era para o extremo esquerdo.

Com o tempo e sobretudo com as diferentes formas de organização em campo estes números variaram a sua posição, sendo diferente a utilização por exemplo dos 10 na Europa do que no Brasil ou na Argentina e pouco a pouco os números começaram a circular livremente entre os jogadores até hoje. Por causa disso, números incomuns têm sido vistos em algumas equipes. Para citar alguns casos curiosos poderíamos falar sobre a Copa do Mundo de 1958, quando a Confederação Brasileira de Futebol esqueceu de enviar a lista com os números dos jogadores para a organização do evento. Por causa disso, o oficial uruguaio Lorenzo Villizzio atribuiu aleatoriamente números aos jogadores, dando o número 3 ao goleiro Gilmar. Garrincha e Zagallo usavam o número oposto àquele a que tinham direito, 11 e 7 respectivamente, enquanto Pelé recebeu aleatoriamente o número 10, o número com o qual ficaria na história.

Nos Mundiais de 1974 e 78, a Federação Holandesa de Futebol decidiu que os números seriam distribuídos por ordem alfabética, o que permitiu, por exemplo, que o goleiro Jan Jongbloed usasse o número 8 e o atacante Ruud Geels o número 1.

Johan Cruyff por exemplo, foi outro jogador que escolheu um número fora do “11 inicial”, sendo o número 14 o número pelo qual ele seria reconhecido.

Na temporada 1998/1999, o atacante chileno Ivan Zamorano, da Inter de Milão, teve de desistir do seu clássico número 9 e entregá-lo ao brasileiro Ronaldo devido à pressão do seu patrocinador. Em resposta a isso, Bam Bam decidiu usar o número 18 com um detalhe incomum, incluindo o sinal +, tornando-o visualmente “1+8”, algo nunca visto antes na história do futebol europeu e que foi repetido no Brasil pelo colombiano Freddy Rincón e o seu número 3+5 no Santos FC. Hicham Zerouali foi autorizado a usar o número 0 no Aberdeen F.C. da Scottish Premier League depois de os adeptos o apelidarem de “Zero” e em 2003 vimos pela primeira vez na final da UEFA Champions League um jogador com 99 nas costas, nomeadamente o grande guarda-redes do Porto, Vitor Baía.

Outros grandes jogadores que tiveram de desistir dos seus números, mesmo quando chegaram aos seus novos clubes como estrelas, foram Ronaldinho Gaúcho no AC Milan Ronaldinho Gaúcho, que usava o número 80 nas costas, já que Clarence Seedorf era o jogador dono do número 10.

Durante a temporada 2009-2010 CR7, Cristiano Ronaldo teve que se contentar com um número diferente do seu porque outro grande jogador histórico da equipe branca, Raúl González, tinha-o sob sua custódia e não ia deixá-lo ir.

Em resumo, os números são muito mais que números e ao longo da história deixaram um legado que irá para sempre de mãos dadas com as grandes lendas do futebol.

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