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Os inventores do futebol

Quando pensamos na origem do esporte mais difundido no mundo, a origem etimológica da palavra futebol em si, sem dúvida, vem à mente. Futebol. Uma palavra que inconscientemente nos faz pensar na Inglaterra em 1863, quando a Associação de Futebol foi fundada. Entretanto, existem registros muito mais antigos que nos levam a milhares de milhas de distância do possível local de nascimento do belo jogo. Para onde estão nos dirigindo?

Bem, há muitas teorias.

Alguns colocam sua origem em alguns jogos de bola jogados por índios americanos, como os astecas com seus tlachtli, os maias com Pok Ta Pok, ou os pasuckuakohowog dos Sioux.

Há registros que o colocam na China com tsu chu ou kemari japonês. Mais perto de nosso tempo estava o Calcio Florentino, baseado por sua vez no harpastum dos romanos e era governado pelo Conde Giovanni de’ Bardi, deixando uma porta aberta também para a origem do rúgbi.

Porém, muito menos conhecido é o mangá ñembosarái, um esporte praticado pelos antigos guaranis, um povo que se estendia pelo vasto território que se estendia do Rio da Prata até a Amazônia.

Também não é muito conhecido que o jesuíta espanhol José Manuel Peramas foi o primeiro a perceber a importância que tinha nestas regiões e a escrever sobre isso em 1732.

“Eles também costumavam jogar na bola, que, embora feita de borracha completa, era tão leve e rápida que, uma vez atingida, continuava a saltar por algum tempo, sem parar, impulsionada por seu próprio peso. Eles não jogaram a bola com as mãos, como nós fazemos, mas com o topo do pé descalço, passando e recebendo-a com grande agilidade e precisão”.

A leitura destas palavras sem dúvida descreve um jogo muito mais próximo do futebol moderno do que qualquer um dos mencionados acima.

Mas a forma como era praticada não foi a única coisa que o jesuíta catalão descreveu, ele também passou o tempo contando como aqueles povos indígenas faziam a bola primitiva.

“Uma bola de areia molhada que foi revestida com a resina, uma espécie de borracha, extraída de uma árvore chamada mangaisi”.

Em uma pintura feita pelo próprio Peramás, você pode até ver em detalhes o “equipamento” dos jogadores: camisa branca e calça preta. A razão para isto não era para parecer a Unión Deportiva Salamanca, mas porque era o traje que os missionários lhes davam para assistir à missa e eles, uma vez cultivado o espírito, passavam a cultivar o corpo.

Apesar da forte semelhança com as regras modernas, não se pode dizer que o povo Guarani tenha inventado o futebol. Há escritos que documentam uma comunidade brasileira isolada de toda civilização, que também a praticou da mesma forma.

Talvez o futebol não seja uma coisa nem a outra. Tanto por sua força quanto pela paixão que desperta, talvez tenham sido os próprios deuses que a trouxeram para cá há tanto tempo que já a esquecemos. Não importa a quem atribuímos o futebol. O esporte de ninguém. O esporte de todos.

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