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O dia em que “El Chino” eclipsou Ronaldo

El Chino se esticou, esquecendo a propaganda da mídia em torno de Ronaldo, pois ele era conhecido por ser um recém-chegado à Europa, vindo do relativamente modesto Nacional de Montevidéu. Se ele quisesse ser reconhecido, ainda teria que provar muito.

Seu caráter tímido e sua imagem de menino bom contrastou com o cabelo bouffant e a estética de muitos de seus companheiros de equipe como Diego Simeone, Javier Zanetti e Pepe Bergomi. A partida deixaria gradualmente claro o domínio da equipe da casa, com várias abordagens da área ou alguns tiros de perto de Simeone e Bergomi.

Após a corrida de um Ronaldo, o árbitro não viu uma bola de mão clara dentro da caixa por um defensor de Brescia. O jogo chegou ao intervalo e parecia que o objetivo da Inter era apenas uma questão de tempo. Após o reinício, Ronaldo bateu um pontapé livre indireto na trave Cervone deixando claras as intenções da equipe Inter para o segundo tempo. As situações perigosas se repetiram e o técnico da Inter, Luigi Simone, decidiu apostar no jovem uruguaio e colocar mais pressão sobre a região de Brescia.

Aos 72 minutos, Recoba entra no lugar de Maurizio Ganz.

Na peça seguinte acontece algo que não estava no roteiro. Contra todas as probabilidades, Hubner pegou uma bola na caixa e, após uma rápida virada, colocou a bola no canto do Pagliuca.

Ata 73, a estréia dá errado: Inter 0 – Brescia 1.

“O jovem Charrúa deve ter pensado para si mesmo quando viu o objetivo de Brescia, mas longe de desistir, ele encorajou sua equipe a continuar lutando, e apenas sete minutos depois Recoba deixou claro porque ele havia assinado. Uma bola que o francês Cauet pegou no flanco esquerdo acabou aos pés do “El Chino” a cerca de 30 metros do gol, perto do canto esquerdo. Ele não pensou por um momento antes de soltar tal força em um tiro de canhoto que quase explodiu na rede no poste distante. Como uma bola de canhão, a bola tomou uma trajetória ascendente que o goleiro de Brescia nada pôde fazer. O que Ronaldo estava tentando há 80 minutos, Álvaro Recoba acabava de conseguir em 7.

80º minuto, Inter 1 – Brescia 1.

O cansaço estava afetando Ronaldo, que estava aparecendo menos na área em favor de Djorkaeff e embora ele estivesse pressionando a Inter não terminou de definir. Aos 85 minutos, uma cobrança de falta centrada na mesma distância do gol viu Recoba apanhar a bola com confiança, pronto para receber o chute de pênalti.

O debutante, o menino tímido que acabava de chegar do Uruguai, pegou a bola e pediu para ser o próprio a cobrar a falta. Seus companheiros de equipe, tendo visto o primeiro objetivo, só puderam aprovar sua decisão e esperaram enquanto o árbitro colocava a barreira apenas um metro na frente da linha externa da caixa. Um murmúrio constante fez vibrar o Giuseppe Meazza. A expectativa máxima como “El Chino” levou a corrida pronta para lançar o pontapé livre. 30 metros fora, 5 jogadores na parede e Cervone concentrados na bola não foram suficientes para parar a bola. Para o canto oposto ao seu primeiro gol, o menino do Nacional, Álvaro “El Chino” Recoba fez esquecer por um momento a assinatura mais cara da equipe Interist até o momento.

Naquela tarde quente de agosto, sua lenda começou.

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